O sinal de “Pare” na rua Coronel Alves Teixeira, esquina com a Nunes Valente, até outro dia, estava pintado de uma maneira diferente. Cansado de esperar pelo poder público, um guarda municipal comprou um spray de tinta e escreveu a palavra na pista. A Prefeitura nem ficou sabendo. “A sinalização horizontal estava apagada. O pessoal avançava a preferencial e, vez em quando, tinha um acidente. Liguei pra Prefeitura e nada de tomarem as providências. Resolvi que eu mesmo ia pintar”, conta Herlanio Evangelista, que trabalha próximo ao cruzamento das ruas, no bairro Dionísio Torres.
“Foi uma iniciativa boa. A falta do sinal podia confundir os motoristas”, comenta a professora Joana Alves, que dirigia pela área na última terça-feira. Assim como o guarda municipal, algumas pessoas desistem de esperar pelo poder público e buscam resolver, por conta própria, os problemas da rua ou do bairro. Foi assim com a administradora de empresas Ana Cláudia Lemos.
Da janela do prédio onde mora, ela via o lixo se multiplicar na rua Delmiro Gouveia, na Varjota. “Sob protesto da família, peguei uma vassoura, desci e limpei o local. Era um domingo e meu filho disse que eu tava ‘pagando um mico’. Mas tinha que fazer alguma coisa.” Depois disso, Cláudia teve a ideia de pintar no muro da rua uma frase de apelo, pedindo para as pessoas manterem o local limpo.
“Contratei uma empresa, paguei R$ 75 e colocaram a frase que eu queria”, diz. “As pessoas precisam tomar iniciativa. Não adianta ficar só esperando pelo poder público. Podia ter ficado na minha, mas achei que deveria fazer e fiz. E a gente percebe que, agora, o local está mais limpo”, comemora.
O aposentado Carlos Ferreira também fez sua parte para tentar melhorar a situação da rua onde mora, no bairro Cidade dos Funcionários. Segundo os moradores de lá, várias pessoas foram assaltadas no local, nos últimos dois meses. A falta de iluminação e o matagal da lagoa que fica no fim da rua contribuem para o clima de insegurança. “A gente pagou um pessoal pra limpar a lagoa no sábado”, afirma. Carlos também mandou pintar no muro a frase “Cuidado. Assaltos.”
Uma emissora de TV filmou a frase e, depois que a reportagem foi ao ar, os carros do Ronda passam pela rua com mais frequência, segundo os moradores. “Fiz isso pra alertar as pessoas porque aqui está muito perigoso. E também para chamar a atenção das autoridades. Não dá pra esperar pelo poder público”, diz o aposentado, morador da rua Antônio de Castro.
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